sábado, 23 de fevereiro de 2013

Papo de Aluno com Luis Gustavo Coutinho do Rego

Apresentação

Meu nome é Luis Gustavo Coutinho do Rego e sou estudante do curso Ciência da Computação pela Universidade Federal do Ceara (UFC). Atualmente sou bolsista do programa Ciência Sem Fronteiras na Saint John’s University, NYC.

Sou natural de Quixeramobim e mudei para Fortaleza com o intuito de me preparar melhor para o vestibular.

No primeiro semestre da minha graduação,  fui selecionado como voluntário para o Programa de Educação Tutorial (PET) onde permaneci por um ano e meio. Logo após, consegui uma bolsa de iniciação cientifica, estudando otimização de algoritmos por um ano.

No final do quinto semestre, fui aprovado para o Ciência sem Fronteiras.

O processo inteiro foi uma verdadeira batalha, mas esse era o meu sonho desde o ensino médio e eu não podia desistir. Me inscrevi em Agosto de 2011 para o primeiro edital. Depois de duas tentativas no TOEFL, muita burocracia e a frustração de ter sido alocado para uma universidade por engano, finalmente recebi a carta de aceitação da SJU em Junho de 2012 (Aqui já vai a primeira dica: não desista, por mais que pareça cansativo e impossível! ).


               Figure 1 - Biblioteca da Saint John's University

Descrição da vida acadêmica

Acho que o ritmo aqui e mais corrido e dinâmico. Você interage mais com seus professores e colegas de turma. Não tive nenhuma dificuldade em me adaptar. Provavelmente o que eu estranhei mais foram os horários das aulas. Tem umas coisas meio estranhas: uma aula começa as 10:50 e termina 13:50!

Uma coisa muito boa e provavelmente acontece por ser uma universidade particular, e que todos os materiais são muito novos e tudo funciona corretamente. Não tenho nada a reclamar da infraestrutura daqui. Todos os alunos aqui tem direito a um laptop para fazer seus trabalhos, o que e de muita ajuda.

Existem vários bons lugares para estudar, desde salas em grupo de todos os tamanhos, passando por um café para uma discussão com um colega de classe, ate cabines individuais com iluminação para um estudo mais individualizado.

Aqui o ritmo e bem diferente da UFC, a começar pela duração das aulas. Não temos nenhuma disciplina com mais de três creditos. As aulas são rápidas e os professores aprofundam só no que realmente interessa, no que o aluno teria dificuldades de aprender sozinho. Eles se importam muito com os alunos e realmente querem que você aprenda aquilo que esta sendo ensinado. São totalmente disponíveis e atenciosos. Todos os professores são bem dinâmicos e querem que o aluno interaja com a aula dando sugestões e soluções para problemas.

Em todas as aulas temos homeworks para fazer e são muitos. Uma coisa que eu achei bem diferente e que no Brasil geralmente temos que fazer pouca leitura no livro. Aqui, lemos um ou dois capítulos por aula. Os trabalhos são bem práticos e você se envolve bastante. Aqui na SJU, o curso em geral e bem voltado para a prática e para o mercado de trabalho, então temos muitos trabalhos que se parecem com situações que iríamos encontrar na vida real.

Outra coisa que é muito legal é a estrutura do curso e como você escolhe suas disciplinas. Depois que você escolhe seu curso (aqui eles chamam de Major), você pode escolher uma especialidade (aqui eles chamam de Minor). Então, por exemplo, seu Major pode ser Computer Science e seu Minor Computer Forensics. Acho que isso ajuda os alunos do curso, pois eles não vão ter que fazer disciplinas muito difíceis de áreas que não lhe interessam.

Reflexão sobre a vida universitária

A metodologia de ensino aqui e bem mais voltada pra prática. Fica difícil fazer um contraponto com o Departamento de Computação da UFC, que tem um caráter mais teórico. Parece-me que nas aulas no Brasil os professores tem um monte de informações armazenas e jogam tudo para os alunos seguindo o caminho do livro texto. Aqui, alem dos professores saberem a teoria, eles dão exemplos bem práticos para os conteúdos.

Sobre o dia a dia, tente aprender mais sobre o que e ser um universitário nesse novo pais. Faça amizades e contatos. Converse com professores e procure se destacar. Envolva-se no que for possível. Aqui na STJ temos muitos eventos com caráter de integração dos alunos. Eu sempre procuro participar desses eventos para, alem de descansar um pouco, treinar meu inglês e fazer novas amizades.

Provavelmente você vai para uma universidade na qual você não será o único brasileiro. Não ande somente com eles! Tente fazer outros contatos e ganhar experiência com os nativos.



Quais são as sugestões que você daria para mudar o ensino que você teve?

Definitivamente acho uma excelente ideia e a questão de cada aluno ter um Major e um Minor. E como se fosse uma ênfase (coisa que já temos em alguns cursos da UFC). Já esta na hora de atualizarmos a matriz curricular do nosso curso.

Uma coisa que é muito boa que vejo por aqui e o calendário bem definido de todas as aulas. Antes do período de provas, temos 3 dias de folga para nos prepararmos melhor para as avaliações. Organização e tudo e acho que falta um pouco de esforço coletivo por parte dos professores da UFC.

Acho que os professores também deveriam tentar passar uma visão mais pratica dos assuntos e deixarem um pouco de ler slides (sim, alguns professores do DC fazem isso!). Sei que isso não é fácil mas definitivamente chama a atenção dos alunos e nos motiva muito mais.

Experiencias aprendidas

Só por participar de um intercâmbio você se torna outra pessoa. Sua visão de mundo vai ser muito mais ampla. O conhecimento que você vai adquirir e enorme. Você vai aprender a se virar sozinho. Depois de um intercambio você percebe que não existe mais limites para os seus sonhos. E só correr atrás!

Conselhos

1.     Não desista dos seus sonhos! Um intercambio não e nada fácil de se conseguir, muito menos de vive-lo.
2.     Comece um curso de idioma (de preferência que ajude você a ir para o pais que você quer).
3.     Se envolva mais com a universidade. Aproveite os programas que ela tem.
4.     Seja independente. Não espere que os outros façam alguma coisa por você.

No mais, acho que e isso que tenho a dizer. Boa sorte a todos que vão tentar um intercambio!

Abraços!


Figure 2 - Brasileiros na STJ



sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Papo do Aluno com Renan Bandeira


Apresentação

Olá leitores do Papo do Aluno, me chamo Renan Bandeira e curso Ciência da Computação na Universidade Federal do Ceará. Nasci em Recife-PE, mas desde meus 8 meses de vida vivo em Fortaleza. Na UFC, fiz todas as disciplinas obrigatórias, restando apenas 1 semestre (22 créditos opcionais) para que eu me graduasse.  Aqui em Salamanca (sou bolsista Ciência sem Fronteiras – Espanha) faço 4 disciplinas no ano, 2 em cada semestre.
Sempre tive o sonho de fazer um intercâmbio, desde o meu ensino médio, mas nunca pensei que isso fosse possível – e foi, aos 45 minutos do segundo  tempo, mas foi. Além disso, sempre quis ajudar ao máximo a universidade e participar do que fosse possível, nunca quis ser só mais um na UFC. Creio que atingi minhas expectativas, pois fui do PET, estagiei e agora faço intercâmbio, só me faltou uma Iniciação Científica.

Vida Acadêmica
Como me faltava apenas 22 créditos e opcionais, foi muito difícil decidir o que fazer. Busquei não me preocupar com o aproveitamento da disciplina ou com notas, e sim com o que realmente me interessava ver ali.  Além disso, o curso que faço aqui é Ingeniería Informática (como se fosse Engenharia da Computação).
Semestre passado fiz duas disciplinas: Gestión de Proyectos (Gestão de Projetos) e Ingeniería del Software II (Engenharia de Software II). As disciplinas aqui, por mais teóricas que sejam tem práticas (aulas de laboratório). Pareceu-me um pouco chato até, porque essas disciplinas eram essencialmente teóricas com conteúdo e tínhamos aulas de laboratório para fazer os documentos pdf. As aulas são sempre com apresentação de slides, com cada detalhe bem explicado, até o desnecessário. Gostei muito da disciplina de Gestão, pois é algo novo que não tem na UFC e ensina a calcular esforço do projeto, calcular preço do projeto baseado no esforço, etc e em Engenharia eu gostei o fato de eles explicarem Engenharia Web, já que as aplicações Web têm um grande potencial hoje em dia para crescer mais e mais e as pessoas programam Web sem nenhum padrão.
Sobre a maneira de avaliar, eu já acho que o Brasil ganha fácil. Eu diria que aqui a avaliação é como um vestibular, pois tem um exame final que vale de 40 a 70% da nota e, por mais aprovado que você esteja (a média é 5, se esse exame vale 40% você pode já ter no máximo média 6), você tem que tirar no mínimo 4. Cada professor faz de uma maneira diferente. No meu caso, tive um exame que caiu uma questão de marcar perguntando qual dos padrões citados havia sido criado na Europa e outra vez apareceu uma pergunta valendo 0.5 pontos para que eu dissesse o que eu tinha achado da disciplina. Em compensação, na disciplina de Engenharia de Software foram 3 questões abertas e não caiu todo o conteúdo. Uma das unidades tinham 18 padrões de projeto  e a primeira questão era pra desenhar a UML e falar sobre um padrão específico. Nota-se que a avaliação é muito “decoreba” e isso faz com que os alunos se desliguem dos estudos na maior parte do semestre e estudam basicamente no mês do semestre. Bibliotecas funcionando 24h, todas lotadas sempre nessa época e, fora dessa época, as festas de terça-feira a sábado são os locais lotados da cidade. E, claro, como eu sinto falta dos exercícios que os professores brasileiros costumam passar! Me sinto perdido muitas vezes aqui por falta de exercícios!
Mas a rotina não é só universidade. Agora você está só, vivendo com estranhos. Agora você tem que fazer seu almoço, limpar os pratos, fazer faxina e estudar (além de administrar suas finanças). Organização é tudo, também temos que ter vida social, pois ninguém é de ferro. Isso sem falar que suas aulas são em outro idioma e vai custar um pouco para você escutar o outro idioma como escuta seu idioma nativo, principalmente se você só anda com brasileiros. Não faça isso. Ande com alguns brasileiros, mas também ande com pessoas de outras nacionalidades, outras culturas, outra forma de ser.
Eu diria que o Brasil em certos pontos não está tão mal como parece. A maneira de avaliar me parece melhor, a divulgação dos grupos de pesquisa também. Os eventos da área são mais divulgados, inclusive pela universidade. O que falta é uma reforma curricular. Nem tudo está errado (aqui, por exemplo, teoria da computação e compiladores é optativa, mas isso eu também discordo). A parte matemática vai bem e atualizada, mas não é o que parece na parte da informática em si. Sinto muita falta de disciplinas que se importem com a Web, com segurança, com administração de sistemas, etc. Pode até ser que elas sejam opcionais, mas é relevante hoje em dia. No Brasil, o aluno é importante e tem grande relevância. Aqui temos um horário de tutoria com o professor, mas não temos monitores e os grupos de pesquisa não são divulgados. Em compensação, a base matemática deles é melhor, pois o ensino médio deles é focado na área que eles querem. Por exemplo, se querem exatas, eles focam na matemática e esquecem um pouco da geografia e chegam na universidade sabendo derivar.

Experiências e Sugestões
Creio que o maior aprendizado de um intercâmbio não está dentro da sala de aula, mas isso não quer dizer que você não deve estudar. Pra mim foi algo totalmente diferente de muita gente, pois não procurei viver com brasileiros. Moro com espanhóis e isso me ajudou a melhorar meu espanhol e a vivenciar cada detalhe de sua cultura. Tenho amigos brasileiros, claro, pois quando mais necessitamos, são os brasileiros os nossos amigos mais íntimos, não tem jeito.
É imprescindível o aprendizado a lidar com o mundo, a viver só sem depender de ninguém. É um momento que você finalmente se sente um adulto por completo. Sempre fui muito independente e nunca pedi nada a minha família, mas quando precisava comer, sacava dinheiro da minha bolsa e comprava um lanche, por exemplo. Agora consigo cozinhar. Aprendi palavras de vários idiomas, costumes de diversas nacionalidades, gírias em espanhol, principalmente (isso você não aprende em curso nem fazendo compras. Só se aprende com os nativos). Longe da família, me aproximei mais de Deus. E foi na igreja que encontrei gente aberta, do mundo todo. Aqui não é fácil fazer amigos na faculdade, o pessoal é muito fechado. O inglês ajuda muito, mas é algo que nem sugiro porque imagino que você, leitor, já saiba (até porque no nosso curso é necessário para bibliografias em inglês). E, claro, uma sugestão que repeti várias vezes aqui: nunca ande SOMENTE com brasileiros. Tenha amigos brasileiros, mas não SÓ tenha amigos brasileiros. Procure viver sua vida como se estivesse no Brasil, seja você mesmo e procure aprender ao máximo, seja onde for, seja o que for.

Acampamento de Outono em Esmoriz, Portugal – Jovens do mundo inteiro


terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Papo de Aluno com Klairton de Lima Brito


Apresentação
Olá, meu nome é Klairton de Lima Brito e curso sistemas de informação pela Universidade Federal do Ceará campus Quixadá.

Sou natural de Quixeramobim uma cidade cerca de 50km de Quixadá, cheguei a cursar até o 7º semestre do curso e atualmente sou bolsista pelo programa ciência sem fronteiras na Espanha.

Vida acadêmica

Estou cursando Ingeniería Informática na Universidad de Jaén, o ritmo aqui é bastante puxado, visto que o ritmo da UJA é um pouco diferente do ritmo que eu tinha na UFC, todas as disciplinas que faço são 50% de aulas teóricas e 50% de aulas práticas podendo ser ou não com o mesmo professor(a), praticamente toda semana tenho trabalhos práticos de cada disciplina para entregar que compõem uma parte da nota prática.





A adaptação não foi assim tão fácil, principalmente quando notei que em algumas disciplinas no começo do semestre existem trabalhos dirigidos onde se deve entregar no final do semestre seguindo as instruções dada pelo professor(a), até aí tudo bem, chega a ser bastante parecido com o ritmo na UFC, só que me deparei com uma grande quantidade de alunos que na segunda semana de aula que já chegavam na sala com o trabalho praticamente pronto, aquilo me assustou bastante porque como creio que grande maioria dos aluno no Brasil e eu particularmente nunca tive esse costume de fazer os trabalhos com tanta antecedência.




Outra coisa que demorei em me acostumar foi com o estilo de aula, na UFC se pode perceber que entre os professores e alunos existe uma relação amigável que torna as aulas mais produtivas, aqui só tive aula com um professor que se assemelha com o estilo de aula da UFC, as demais aulas quando o professor entra em sala só se escuta um barulho novamente quando a aula acaba, as aulas são frias, com pouca interação entre aluno e professor(a) e não existe a preocupação do professor em saber como está o rendimento dos alunos sobre o conteúdo e onde estão as maiores dificuldades da turma, diferentemente de como ocorre da UFC.

Não posso dizer que me adaptei 100% a esse novo ritmo, mas que consegui acompanha-lo não deixando acumular exercícios e procurando resolve-los o mais cedo possível, já que isso me ajuda a fixar o conteúdo dado em sala de aula, mas uma vez ou outra me pego com um exercício em cima da data de entrega ou coisa do tipo.

Comparações

Fazendo uma comparação em relação ao ensino percebi que os professores da UFC e o conteúdo dado não deixam em nada a desejar em relação a UJA, os pontos onde notei que a UJA leva vantagem sobre a UFC campus Quixadá foram:

Estrutura




Os inúmeros laboratórios são bem amplos e organizados com computadores novos das marcas mais bem conceituadas atualmente como: DELL, LENOVO e Apple. E também laboratórios equipados para práticas de rede e com equipamentos de hardware, onde eu nunca tive a oportunidade de ter aula por não ser as disciplinas que faço, mas pude ver os laboratórios e perguntei aos alunos da minha sala como funcionava. 

Ferramentas
Apesar de toda a estrutura física dos laboratórios o que me chamou atenção mesmo foi quando comecei a utilizar os computadores e percebi a quantidade de ferramentas pagas instaladas nas máquinas que vão desde ferramentas de desenvolvimentos, controle de rede e até de projeto. Um tempo depois conversando com alguns alunos descobri que a universidade ainda tem uma parceria com a microsoft onde a partir dos meus dados da universidade posso instalar alguns programas gratuitamente no meu computador pessoal, que vão desde sistema operacionais até ferramenta de desenvolvimento.

Pesquisa
Depois de conferir a estrutura da universidade fiquei curioso em saber como seria o nível de pesquisa aqui, então fui buscar os grupos de pesquisas da universidade existentes voltado para o meu curso. Como resultado encontrei vários grupos de pesquisa divididos por áreas onde em um deles fui conversar com uma professora que fazia parte do grupo para obter mais informações de como funcionava mais ou menos o ritmo de pesquisa, então ela me explicou que o grupo é dividido em vários temas onde existem pessoas pesquisando para criação de artigos e ferramentas, e lá ela me mostrou também o site oficial do grupo com os membros, publicações e trabalhos realizados. (Que por sinal são muitos.)

Sugestões

Uma sugestão que tenho é tentar balancear mais as aulas práticas e teóricas e sobre o calendário de disciplinas, pois o calendário de disciplinas aqui achei bem interessante e com algumas adaptações poderia ser bem utilizado na UFC. 

Resumidamente até o 5º semestre as disciplinas são iguais para todos e sem nenhuma disciplina optativa, na teoria essas disciplinas ofertadas são aquelas fundamentais ou que vão servir de ponto de partida para outras mais avançadas. A partir do 6º semestre surgem 3 ramos(áreas como por exemplo: desenvolvimento, controle de projeto e redes) com as disciplinas já definidas para cada ramo, e no 7º semestre ainda existem disciplinas definidas para cada ramo só que em quantidade bem menor e também com espaço para algumas disciplinas optativas, já no 8º semestre existem somente disciplinas optativas.

Uma vez escolhido o ramo que o aluno pretende seguir ele deve sempre seguir esse ramo até o fim do curso, como até o 5º semestre as disciplinas são iguais para todos os alunos já é possível ter uma ideia de qual ramo que o aluno se identifica mais e ele terá a certeza de que as disciplinas futuras serão ofertadas, pois já estão definidas em cada ramo. E ele ainda terá a opção de fazer as disciplinas optativas.

Experiências Importantes

- O ensino que tive no Brasil principalmente na parte de programação foi muito bom, pois aqui não tive dificuldade de acompanhar conteúdo voltado para parte de programação, isso graças a base que eu ganhei na UFC.

Brasil
- Uma experiência que tive na UFC onde na UJA não existe foi ser bolsista de monitoria, que faz com que o aluno tenha um esforço maior nas disciplinas que ele se identifique visando concorrer uma bolsa e tentar ajudar alguns alunos que tenham dificuldades sobre o conteúdo. 

Espanha 
Ter o contato com pessoas de outras nacionalidades aprendendo sobre a cultura, idioma e o ensino é algo fantástico, e não falo somente com pessoas da Espanha, pois como a universidade aqui conta com diversos convênios com outras universidades e com programas de mobilidade internacional existem alunos de todas as partes do mundo estudando aqui.

Conselhos

1º - APRENDA inglês o mais rápido possível, isso vai te ajudar muito.
2º - Não tenha medo de aprender aquilo que você AINDA não sabe.
3º - ORGANIZE seu tempo.

Papo de Aluno na Rede

Blog do Prof. Palazzo
http://palazzo.pro.br/wordpress/2012/12/papo-de-aluno/


Portal Administração UFC - Cariri

Portal do Engenharia de Software - UFC Quixadá
http://www.es.ufc.br/?p=182

Blog sobre Assuntos Profissionais do professor Adolfo Neto (DAINF-UTFPR)
http://qeondb.blogspot.pt/2013/02/indicacoes-de-blogs-papo-de-aluno-e.html

Página do professor Gilson Volpato
http://gilsonvolpato.com.br/comentarios_formacao.php


K4M1K4Z3 {B.I.} [ Developer Experience ]

http://kamihouse.wordpress.com/2013/01/28/papo-de-aluno/

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Papo de Aluno com Jefferson da Silva Barbosa


Apresentação 

Meu nome é Jefferson da Silva Barbosa, tenho 19 anos, sou da cidade de Nova Russas, que fica na região dos Inhamuns no Ceará, estou no 4º Semestre do curso de Engenharia de Software. Atualmente sou bolsista do programa Ciências sem Fronteiras, estou vivendo na cidade de Santander (Espanha) e estou fazendo o curso de Engenharia da Computação na UC (Universidade de Cantábria). 

Adaptação 

Uma das minhas primeiras dificuldades na UC foi que o ano letivo começa em setembro, então na prática é como se estivesse fazendo primeiro o 5º semestre para depois fazer o 4º e com isso não pude cursar algumas disciplinas que eu desejava. O primeiro mês foi um pouco difícil, pois tive que aprender novas bibliotecas de Java criadas por professores em que todos os alunos já deveriam ter conhecimento prévio de disciplinas anteriores, além disso os professores exigem que o código tenha o menor custo possível de memória e a cada deslize são descontados pontos. 

Universidade 

O sistema de ensino não muda muito do que o Caio descreveu. No planejamento de aulas o professor deve dedicar metade do horário em exercícios práticos e teóricos. No laboratório temos que resolver diversos problemas ou construir algum tipo de equipamento ou software com uma lista passo a passo, além dos trabalhos em sala nos temos que entregar semanalmente exercícios que são cobrados para fazer em casa e às vezes apresentar e defender algum tema que tenha relação com o conteúdo apresentado em sala. Os exames parciais são feitos em 50 minutos com aproximadamente 8 itens e a nota final é dada pela junção de todos os exercícios, o peso dos trabalhos variam de 30% a 60% da nota final dependendo do professor, mais um ou dois exames para completar o restante da nota e para divulgação das notas e materiais de estudo os professores utilizam o Moodle. 

Professores 

Os professores são muito capacitados e passam muita segurança no que estão explicando, mas é como todos já disseram, os nossos professores da UFC-Quixadá são tão bons quanto. Muitas das coisas que estavam explicando eu já tinha uma base, então em momento algum fiquei perdido durante as aulas. Assim como na UFC, os professores estão quase sempre disponíveis fora dos horários de aula para tirar duvidas e indicar boas fontes para pesquisar e entender melhor o que se foi passado durante as aulas, a diferença está no que a Virgínia disse, que alguns professores da UFC vão além da relação professor-aluno, eles são amigos que se preocupam com seus alunos e devido a isso nos deixam mais livres para fazer perguntas.

Alunos 

Uma boa parte dos alunos nos passa a sensação de estar em uma competição na disputa por sua vaga no mercado de trabalho, talvez isso seja uma das razões das pessoas nos passarem o sentimento de individualismo. Aqui não existe o companheirismo que estamos acostumados no Brasil, não é comum ver pessoas dando risadas com seus colegas no intervalo ou conversando dentro do ônibus. 

Quais os conselhos que você daria para um aluno que está começando? 

Dedique-se a partir do primeiro dia até o ultimo de sua graduação. 

Participe de competições de programação. 

Seja uma pessoa comunicativa e troque ideias com seus amigos e professores. 

Tente fazer intercambio durante sua graduação, é uma experiencia única que mudara sua realidade, tanto profissional quanto pessoal.

Sempre se pergunte se é isso em que você quer trabalhar pro resto da sua vida.

Mantenha-se sempre atualizado.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Papo de aluno com André Luís Pitombeira


Sou o André Luís Pitombeira, sou natural de Russas-CE e tenho 25 anos. Graduado em Sistemas de Informação pela UFC/Quixadá. Fiz parte da primeira turma de Sistemas de Informação do campus, que teve início em 2007.2 e colei grau em 2011.1.

Atualmente trabalho como desenvolvedor de software no Laboratório de Sistemas e Banco de Dados(lsbd), que é um laboratório de pesquisa e desenvolvimento de software vinculado ao Departamento de Computação da UFC. Desenvolvemos aplicativos para dispositivos móveis(iOS e Android) e backends em flex + .net ou flex + rails. Adotamos o scrum como metodologia de desenvolvimento. No laboratório temos vários projetos que são desenvolvidos simultaneamente. Temos equipes pequenas que são compostas de clts e estagiários, sendo que cada equipe fica alocada em um projeto. Os membros das equipes são normalmente multifuncionais, pois atuam, tanto na especificação e análise, como no desenvolvimento do software. 

No início quando cheguei no laboratório fiquei um pouco apático. Primeiro, porque não esperava ter que programar, pois não tinha muita experiência e nem sabia direito. Mas mesmo assim tive que aprender rails e flex para poder atuar nos projetos. Segundo, porque o pessoal que trabalhava lá era na sua grande maioria alunos ou ex-alunos da computação. Era um grupo que já se conhecia há bastante tempo e que de certa forma era meio fechado, daí tive dificuldades de me enturmar. Mas aos poucos fui ganhando a amizade dos meninos e consegui me enturmar =).

No entanto, a maior dificuldade que tive foi ter que programar. Era um aluno mediano nas cadeiras de programação, sempre conseguia fazer os trabalhos e ia relativamente bem nas provas. Mas na hora de programar profissionalmente a coisa era diferente. Parecia que não sabia de absolutamente nada e não conseguia fazer as coisas direito. Já estava desesperado(pensei até em mudar de profissão), mas ai tive um pouco de calma e comecei a trabalhar minhas limitações. Em primeiro lugar, fiz uma lista das minhas limitações e dáquilo que precisava aprender(a lista ficou enorme). Após isto, juntei um material para estudar e comecei a estudar todas as noites e nos fins de semana. Fui lendo livros técnicos e exercitando bastante. Uma coisa que me ajudou muito foi baixar o código de alguns projetos open source. Ás vezes eu passava a noite inteira só estudando o código e tentando entendê-lo. E, foi ai que comecei a perceber que programar não era uma coisa tão complicada assim, na verdade era só uma questão de prática. 

Não obstante, se pudesse voltar no tempo e fazer a faculdade novamente teria me dedicado mais nas disciplinas, sobretudo, áquelas mais teóricas. Ás vezes nos enganamos e achamos que o curso deve ensinar áquilo que o mercado está pedindo, mas nos esquecemos que as tecnologias mudam com muita velocidade. Áquilo que é usado hoje, pode não ser mais usado amanhã, como por exemplo o java, que está perdendo mercado para o ruby. Então, o curso deve prover as habilidades necessárias para que possamos enfrentar esse novos desafios, através da nossa capacidade de raciocínio e de abstração, que são essenciais para desenvolver software e não no aprendizado de tecnologias, que são específicas para determinados contextos e muito voláteis.

Gostaria muito, mas muito mesmo de ter estagiado mais, pois o estágio tem um papel importantíssimo na nossa formação como profissional, pois é no estágio que ganhamos nossa primeira experiência de trabalho e se você não tiver experiência, muito dificilmente você vai arrumar emprego, mesmo você tendo sido um bom aluno
Deveria ter me dedicado mais no curso de inglês. Até sair da faculdade não tinha noção do quanto o inglês é importante. Achava que saber ler bem e escrever comentários seria o suficiente, mas fui cobrado para ser fluente, pois trabalhei em um projeto em que precisava me comunicar com um pessoal da holanda com frequência através de emails e skype.

Durante a graduação fiz mobilidade acadêmica, que foi bem interessante, pois vi como funcionava as coisas aqui em Fortaleza e tive a oportunidade de estabelecer novos contatos. Um destes contatos foi o professor que é chefe do laboratório que trabalho. Tive a oportunidade de conhecer o GREAT, que é um grupo de pesquisa bem estabelecido, no qual vários professores do nosso curso fazem parte.

O nosso campus por ser pequeno tem um grande diferencial. Esse diferencial é a oportunidade que temos de acesso aos professores, que considero um dos pontos mais positivos da minha formação. Graças a essa proximidade conheci com mais profundidade as diferentes áreas que os professores trabalhavam(lógica, eng. de software, redes, etc), que foi essencial para descobrir o que gosto e pretendo trabalhar no mestrado; discuti assuntos técnicos(essencial para amadurecer o senso crítico) e recebi muitos conselhos que estão sendo fundamentais na minha vida profissional. Sou muito grato a todos por isso.

Para os alunos que estão na graduação tenho algumas dicas:
- Não se apeguem a Sistema Operacional. Dependendo do que vocês vão trabalhar o S.O pode mudar. 
- Não se apeguem a linguagem de programação. Mas seja pelo menos muito bom em uma.
- Se você pretende ser tester é importante que tenha boa experiência nisso(faça um estágio focado em teste).
- Tentem fazer estágio fora da faculdade. O nível de cobrança é bem mais profissional.
- Tenham uma boa base de controle de versão(svn e git)
- Certificações não garantem emprego, mas são um bom diferencial.
- Estudem muito inglês. Inglês é essencial!!
- Façam parte de alguma lista de discussão técnica.
- Entrem em algum projeto open source.
- Participem de cursos, congresos e seminários não apenas pelas horas extras, mas para está atualizado com as novas tendências e estabelecer o networking.

O networking é extremamente importante para arrumar emprego. A maioria das empresas contratam por indicação, então ter uma boa base de contatos é essencial na hora de procurar emprego.

Fortaleza está com uma demanda muito alta de profissionais de TI, a maioria das empresas estão contratando. A grande maioria das vagas são para desenvolvedores que trabalham com as tecnologias: java, .net, rails e android; mas as mais remuneradas são para os desenvolvedores de iOS e c++. Ultimamente houve uma demanda enorme por tester, que tem se apresentado como um mercado em expansão e carece de profissionais qualificados. As empresas estão pagando normalmente para os profissionais recém formados salários entre 2.000 e 3.000 mais benefícios(vale alimentação e plano de saúde).
Enfim, era isso que tinha pra dizer. Me desculpem se foquei muito no desenvolvimento de software, mas é área que conheço e trabalho, então se fugisse dessa linha não teria muita propriedade para falar. Espero que possa ter contribuído em alguma coisa para vocês.